Um clipe que custou R$ 300 mil e nunca viu a luz do dia. Essa é a história de “Vampiro”, uma produção que deveria ser o grande fechamento da fase vampiresca de Matuê, mas que acabou engavetada por insatisfação do próprio artista. O audiovisual, que prometia efeitos em CGI e uma narrativa elaborada, ficou pronto em 2021, mas o rapper decidiu não lançá-lo, optando por manter a obra em um HD, longe dos olhos do público.
O clipe de “Vampiro” era esperado como o ponto culminante de uma trilogia que começou com “Quer Voar” e continuou com “Groupies”. A estética vampiresca, que se tornou uma marca registrada de Matuê, estava prestes a ganhar um desfecho visual que prometia ser tão impactante quanto as faixas que o precederam. No entanto, o lançamento, que estava agendado para dezembro de 2021, não aconteceu.
O motivo? Insatisfação com o resultado final. Um artista que investe uma quantia tão alta em um clipe e decide não lançá-lo está, de certa forma, fazendo uma declaração sobre suas expectativas e padrões criativos. Matuê preferiu perder o investimento a entregar algo que não estivesse à altura de sua visão. Essa decisão é rara na indústria, onde o calendário de lançamentos muitas vezes prevalece sobre o perfeccionismo.
Após engavetar o clipe, Matuê ainda tentou uma alternativa: lançar “Vampiro” por meio de NFTs, uma estratégia que estava em alta na época. No entanto, esse plano também não se concretizou. O que complicou ainda mais a situação foi um vazamento inesperado. Um hacker invadiu os sistemas da 30PRAUM, gravadora ligada ao rapper, e divulgou uma versão da faixa antes de qualquer anúncio oficial.
Com a música já circulando sem autorização, a equipe de Matuê teve que agir rapidamente. “Vampiro” acabou sendo lançada às pressas, sem o clipe que custou R$ 300 mil e sem a narrativa que deveria encerrar a trilogia vampiresca. O resultado foi uma faixa solta, que não teve a chance de ser apresentada da forma como o artista havia planejado.
O caso de “Vampiro” se torna um dos maiores mistérios do trap nacional. Em um cenário onde tudo é documentado em tempo real, uma produção completa, com a ambição de cinema, permanece guardada e sem exibição. O que Matuê viu de errado naquela produção para decidir mantê-la inédita? Essa pergunta ainda ecoa entre os fãs e críticos.
O episódio revela a complexidade da dinâmica da indústria musical atual. Um vazamento pode forçar decisões que, de outra forma, levariam meses para serem tomadas. No fim das contas, sobrou a música, mas a dúvida persiste: o que poderia ter sido “Vampiro” se tivesse sido lançado como planejado? O clipe, guardado em algum lugar, talvez um dia seja desenterrado, mas por enquanto, continua perdido na escuridão que sempre combinou com a estética que o gerou.